28 Julho, 2006
As colaboradoras da agência de notícias se despedem

Encerramento da Conferência Regional das Américas

Artistas reafirmam luta racial

Assim como Leci Brandão, estavam presentes na conferência o ator Antônio Pitanga e a atriz Zezé Mota. O primeiro disse que a real implementação do projeto das cotas depende mais dos negros que dos políticos. “Eu acredito que não dependemos dos brancos e sim da capacidade de gerar ações porque somo maioria”, revela. Já a segunda, declara a necessidade de sempre acontecer ações como a conferência, pois “traz renovação de discursos, mais esperanças, revigora e reforça a luta”.
Militância musical e cidadã
Canções Afirmativas. Este é o título homônimo dos novos CD e DVD da cantora Leci Brandão. Aos 31 anos de carreira, ela explica que este nome foi dado porque percebeu que o termo ações está dentro da palavra canções e como sempre coloca um nome diferente e revelador nos seus álbuns, complementou com a palavra afirmativas, logo, veio a idéia de Canções Afirmativas.
Gravado no último dia 26, no Consulado da Cerveja, em São Paulo, os materiais fonográficos reafirmam a condição de Leci como militante musical na luta contra o racismo desde o início da carreira e trazem novidades como música “Identidade”, “Deixa, deixa” e regravações como “Revolta Olodum”. Em todas as faixas, “Canções Afirmativas” traz ao público mensagens de combate ao racismo, à violência e resgata a história de movimentos populares.
Além disso, apresenta sambistas da velha guarda cantando músicas inéditas e sambistas da nova geração cantando músicas da velha guarda. Mesmo aparentando cansaço físico em detrimento da longa jornada de gravações, Leci Brandão conversou sobre este, que é o primeiro DVD de sua carreira e afirmou a importância do debate sobre desigualdade racial, antes do show “Brasil canta América Negra” em que, juntamente com Sandra de Sá, Zezé Mota, Netinho de Paula e Tony Garrido, cantou exclusivamente para participantes da Conferência Regional das Américas.
Brasil e Cabo Verde assinam protocolo de intenções

O documento tem como objetivo garantir a promoção dos Direitos Humanos e a Inclusão Social, por meio da prestação mútua de cooperação técnica na realização de pesquisas, programas de geração de trabalho e renda, seminários, treinamentos e eventos.
A discriminação de gênero e a pobreza são também portas de entrada para o racismo

Cidadania é negada à população cigana
Na Conferência da Américas um tema de extrema importância que foi pautado é a situação da população cigana no Brasil e em outras partes da América. Márcia Yaskara Guelpa representante da população cigana falou um pouco sobre o tema. Confira a entrevista
Relatos das plenárias e mini-plenárias têm transmissão online
“Temos que lutar com pau, com pedra, com ferro, com o que for”


Para ela, nessa e em outras conferências iniciou-se um processo onde “a gente está tendo um espaço para dialogar e lutar. Eu espero que isso possa continuar. Com o presidente ou não, a gente não pode retroceder - temos que lutar com pau, com pedra, com ferro com o que for”, afirmou.
Em comum, ambas religiosas têm no discurso a reinvidicação pelo acesso e oportunidade do povo negro às instâncias de poder. Elas defendem o projeto das cotas, que ainda não foi viabilizado por questões político-financeiras e principalmente, pela falta de mais apoio de parte da população brasileira.
Propostas discutidas na mini plenária do Cone Sul

Um fato que foi identificado durante a mini plenária é que as populações negras do Brasil e de outros lugares das Américas sentem na pele é a discriminação racial adotada como política de Estado, pois o que ocorre é que muitas vezes as maiores vítimas da polícia são os (as) negros (as). Outros pontos discutidos foram: a promoção de ações que busquem uma maior inclusão social, a necessidade de colocar a escolha sexual não apenas como um direito, mas como um fato indiscutível e a superação da discriminação nos meios de comunicação como a internet.
Outros possíveis desdobramentos que a Conferência vai estimular é a consciência de que as vítimas do racismo não são irrelevantes e de que medidas devem ser implementadas nesse sentido. Incorporação de políticas de ações afirmativas, entre elas cotas para negros e indígenas nos meios de comunicação, a recusa do branqueamento como proposta de modelo de beleza e a valorização da auto-estima dos diferentes grupos.
A importância da inclusão da história dos povos afro-descendentes, indígenas e ciganos, nos livros didáticos sob uma outra perspectiva também foi pautada.
Movimento GLBTT reivindica a inclusão da temática no documento final da conferência

Para Edmilson Medeiros um processo de construção de diálogos está em curso e novos aliados estão sendo identificados. “Temos avançado muito nas conversas com a juventude e com as mulheres. Estamos indo ao encontro dos outros grupos levantando a discussão, porque eu sou negro, jovem, mas a questão da livre orientação sexual perpassa tudo isso”.
Milton Santos vai mais além e diz que apesar das discussões com os grupos terem sido ampliadas, nas grandes plenárias de conferências esse assunto é sempre barrado. “As pessoas ainda tem dificuldade de falar de livre orientação sexual. Muitos ainda têm a palavra homossexual como um palavrão”.
Para Márica Cabral a dificuldade não está só em falar e sim em conviver como o (a) diferente. “Essa é uma dificuldade humana, mas por conta da discriminação que sofremos no dia-a-dia temos trabalhado as questões das diferenças com mais solidariedade.
O grupo finaliza afirmando a importância de avançar, de fazer com que a questão da livre orientação sexual inclua-se nos documentos desta conferência, porque segundo eles (a) não é possível combater o racismo sem combater a homofobia.
Relator da ONU convoca mobilização em todos os setores

Mídia e Racismo em pauta

Uma das pontuações expostas na plenária da sociedade civil na tarde de ontem foi a representação das pessoas afrodescendentes e indígenas na mídia. O cineasta brasileiro Joel Zito Araújo apresentou aos participantes as formas de visibilização destes grupos na televisão e no cinema e sugeriu que sejam asseguradas nas resoluções desta Conferência tais problematizações.
“O papel da mídia na destruição e na descontrução da identidade dos povos indígenas e dos(as) afrodescendentes devem ser pontuados nesta Conferência para a implementação de políticas públicas”, explica ele.
Os(as) delegados(as) jovens participantes da Conferência se reuniram na quarta-feira com o empresário Netinho de Paula, diretor executivo da TV da Gente, canal de televisão especializado em mídia étnica, onde foram estabelecidos acordos de cooperação entre a juventude afrodescendente organizada e o canal de TV.
Foram pautadas questões sobre a representação racial nos programas exibidos na TV da Gente, sobre como estas práticas podem influenciar as crianças negras, os(as) adolescentes e os(as) jovens.
Será realizado nesta sexta-feira um novo encontro para se estabelecer parcerias entre a juventude negra e o empresário, a fim de potencializar e estabelecer parcerias para a criação de espaços de divulgação e veiculação das ações da juventude, como o Encontro Nacional de Juventude Negra - Enjune, com previsão de realização em maio de 2007 na Bahia e a campanha do Laço Laranja. Participarão também desta reunião a presidenta do Conselho Nacional de Juventude, Regina Novaes; a cantora Sandra de Sá e Jorge Carneiro, da subsecretaria de Ações Afirmativas da Seppir.
Começam as mini-plenárias
27 Julho, 2006
Juventude faz diferença na Conferência Regional das Américas
Saudando a ancestralidade africana e enfatizando a importância da luta contra o genocídio das juventudes afrodescendentes e indígenas, os(as) jovens ao apresentar suas impressões em relação ao temário da I Conferência Regional das Américas, emocionaram os(as) participantes presentes na plenária.“O século XXI é o século da reparação, por isso não devemos e nem podemos continuar somente produzindo documentos, participando de conferências, seminários e congressos, e sim enfatizar os acordos adotados entre as sociedades civis, os estados das Américas e os organismos de cooperação internacional, para promover a verdadeira igualdade racial”, enfatiza Thatiane Silva, delegada da sociedade civil do Brasil.
Apontamentos referentes à violência racial e a implementação de ações afirmativas, foram alguns dos pontos mais enaltecidos na apresentação dos(as) jovens, que desde o início da Conferência estão realizando intervenções e manifestações sobre o assunto. Na abertura oficial no Palácio do Planalto foram exibidos cartazes e panfletos sobre a aprovações do projeto de cotas raciais e a implantações das reparações históricas aos povos indígenas e aos afrodescendentes.
“Precisamos desenvolver práticas de relacionamento entre os processos organizacionais e diferentes dinâmicas que possibilitem realizar uma frente comum de trabalho para as violações aos diretos humanos, possibilitando uma melhor participação de todas as pessoas incluídas negativamente na sociedade, como os afrodescendentes, indígenas, migrantes, ciganos, pessoas com deficiência, portadores de HIV/AIDS, lésbicas, gays e pessoas transexuais nos mais variados espaços de decisão”, explica Martin Negrete, delegado jovem do Paraguai.
Ao final da apresentação da juventude foi lançada a Campanha do Laço Laranja, que objetiva potencializar o debate sobre o genocídio destas juventudes e as ações afirmativas, principalmente no que diz respeito às cotas raciais nas universidades brasileiras. Foi realizado um minuto de silêncio pelas vítimas jovens, afrodescendentes e indígenas, da violência polícia e do extermínio destes grupos.
O movimento GBLTT também expôs suas argumentações em plenária, representados(as) pela representante deste segmento no Comitê Internacional da Conferência Regional das Américas, a delegada jovem Márcia Cabral, os(as) GLBTT reivindicam a visibilidade dos transexuais e transgêneros, além da implementação de medidas legais que combatam a homofobia e a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos destas pessoas.
Indígenas reivindicam Secretaria Especial no governo brasileiro

Os(as) indígenas apresentaram um diagnóstico de seus povos após as resoluções apontadas no plano de ação de Durban e os avanços de suas ações associadas aos trabalhos de promoção da igualdade racial na região. O ponto alto da apresentação, por parte dos(as) indígenas brasileiros(as), foi a reivindicação da criação de uma secretária especial dos povos indígenas.
“Os(as) indígenas possuem necessidades, realidades e demandas que necessitam uma maior atenção do governo. Os povos indígenas reivindicam nesta Conferência a criação de uma secretaria específica para tratar dos assuntos de nossos povos”, cometa a representante brasileira dos(as) indígenas.
Alejandro Rogas, representante dos Migrantes, enfatizou a importância da implementação dos resultados e conclusões desta Conferência. Segundo ele, os(as) migrantes estão expostos a uma realidade de discriminação e intolerância muito grande, “O relatório da ONU afirma que 191 milhões de pessoas migrantes vivem hoje no mundo, sendo que 25 milhões são refugiados. Este dado está sob avaliação diante do quadro que os(as) migrante não tem visibilidade diante do estado, devido a sua situação irregular, logo concluísse que estes números são muito maiores”, explica ele.
O povo cigano, uma raça marginalizada e de pouca participação e atuação nos processos políticos apresentou algumas inquietações sobre a pouca visibilização de sua história, suas origens e sua cultura.
De acordo com Cláudio Jobanut, representes dos(as) ciganos(as) na plenária, hoje no Brasil existem cerca de 600 mil ciganos(as), “Chegamos neste país em 1547, juntamente com os(as) negros(as) e índios(as), fizemos parte desta história de construção de nação juntamente com estes povos, logo sofremos as mesmas problemáticas referentes a exclusão e discriminação que estas outras raças”, enfatiza ele.
Comunidade negra norte-americana enfrentam os mesmos problemas

Judith Morrison, da Inter-Agency Consultation on Race in Latin América fala um pouco sobre a situação dos negros norte-americanos.
Confira a entrevista clicando aqui.
Juventudes apontam demandas

Foi necessário que os jovens se consolidassem em um grupo diferenciado para reivindicar a inclusão da temática juventude nas discussões da Conferência. Para falar deste documento e da atuação das pessoas jovens na Conferência das Américas, conversamos com Larissa Amorim Borges, mineira, do Grupo Negras Ativas, e que participa da Rede Latino Americana de Jovens Afro Descendentes e do Comitê Internacional que organiza esta conferência.
Jovens elaboram documento
O movimento jovem está em um momento importante de decisão e definição de algumas bandeiras comuns e alianças estratégicas, segundo Larissa. Na Conferência, a meta é ampliar o diálogo entre as juventudes negras e indígenas do continente americano e também com as outras gerações reunidas em Brasília. “Estamos trabalhando em um documento que é uma síntese dessa reflexão. Há também propostas de cooperação entre os jovens e outros organismos que podem colaborar”, explica Larissa.
Algumas das propostas que foram desenvolvidas são “a de mais solidariedade entre as pessoas que estão lutando por um mundo melhor para levantar algumas bandeiras como o fim do genocídio contra as comunidades quilombolas, homossexuais, indígenas e negras. Essa é uma das nossas principais bandeiras: a juventude negra precisa sobreviver e viver bem”, afirma. Outro ponto muito importante discutido é a luta contra o abuso sexual de mulheres jovens negras e indígenas, freqüentemente exploradas pelo tráfico internacional de seres humanos e pelo turismo sexual.
O que esperar das Conferências
Ao se avaliar avanços e desafios pós Durban, os resultados da Conferência das Américas deverão reafirmar as dificuldades enfrentadas pelas populações jovens da região, reforçando a convocação tanto para os governos, a sociedade e organismos internacionais para a problemática da juventude. Segundo Larissa, “os produtos das conferências não são muito concretos, mas conquistas no plano simbólico. Trata-se de uma tentativa de demarcar um espaço político e a concretização dessas idéias ocorrem em um espaço de tempo mais longo”.
Por ações afirmativas na educação: "queremos cotas!"
O que foi discutido em relação à educação pelos jovens, é que esse é um dos grandes nós em toda a América Latina e o Caribe. Segundo Larissa “a situação de fracasso escolar é um absurdo e isso vai recair principalmente sobre a juventude negra”, que é maioria entre a população jovem latino-americana (a qual, por sua vez, representa cerca de um quinto da população da região, segundo relatório do PNUD 2005). Larissa observa também que muitos jovens negros não conseguem permanecer na escola, ou acessam escolas com ensino de qualidade inferior. É freqüente a realidade de ter que trabalhar e estudar ao mesmo tempo, ou de ter que abandonar os estudos para trabalhar.
O documento dos/as jovens trata ainda as políticas afirmativas “não só para as política de cotas nas universidades, mas também políticas afirmativas desde o jardim de infância”, conta Larissa.
Presença dos jovens nas Conferências de Santiago 2000, Durban 2001 e esta Conferência das Américas
A mobilização de jovens da sociedade civil para participar dos espaços de conferências vem, pelo menos, desde o processo de Santiago (2000), conferência que preparou a participação das Américas na 3a. Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação, a Xenofobia e todas as formas de Intolerância Correlatas, em Durban. Naquele contexto também, houve uma reunião de jovens delegados e delegadas, que propôs, entre outros pontos, a criação de uma comissão de monitoramento pós Durban, para as ações necessárias à defesa dos Direitos Humanos dos/as jovens. Isso não se concretizou ainda e volta às reivindicações dos/as jovens das Américas, nesta semana, em Brasília.
“Em todos os conferencias a juventude esteve presente embora em alguns momentos de uma forma subalterna em relação aos demais companheir@s”, comenta Larissa. Mesmo apesar de algumas dificuldades ela diz que em todos os momentos que a juventude esteve presente, lutou para obter mais visibilidade em relação às suas reivindicações.
Combate ao racismo no Brasil pode ser referência nas Américas

Segundo o relator senegalês, este é um momento de atenção, porque desde o atentado terrorista às torres gêmeas em Nova Iorque, assiste-se a um recuo da afirmação dos Direitos Humanos e uma erosão e requestionamento dos pontos levantados em Durban (III Conferência Mundial Contra o Racismo, realizada em 2001). Neste sentido, é necessário reconhecer que o racismo é uma construção de profundidade histórica. “Na América, o racismo foi ampliado e por isso não podemos combatê-lo com sentimentos. A escravidão e o tráfico negreiro foram as maiores tragédias da humanidade e a primeira forma de globalização”.
Juventudes apresentam Laço Laranja

Juventudes afrodescendentes, indígenas e GLBT irão lançar durante a Conferência das Américas a Campanha do Laço Laranja, objetivando potencializar o debate sobre o genocídio destas juventudes e ações afirmativas, principalmente no que diz respeito as cotas raciais nas universidades brasileiras.
“As juventudes presentes nesta Conferência reconhecem que nossa principal bandeira de luta neste momento são o genocídio que envolve todas as juventudes, a marginalização principalmente das(os) jovens afrodescendentes e indígenas. O Laço Laranja se torna a partir desta Conferência o símbolo da luta da juventude pelas ações afirmativas e a implementação das cotas raciais nas universidades do Brasil”, explica Milton Santos, integrante do Grupo Estruturação.
Delegadas e delegados jovens dos países participantes na Conferência estiveram reunidos desde ontem, 26 de julho, construindo um documento representativo deste segmento que aponte as principais questões referentes ao temário desta Conferência, que será apresentado na plenária da sociedade civil na manhã de hoje.
Impressões governamentais em pauta
Representantes dos governos participantes da Conferência Regional das Américas estão neste momento em plenária de exposição de suas impressões regionais sobre racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerâncias correlatas. A Conferência tem a participação de representantes governamentais de 21 países e de entidades da sociedade civil dos 35 países convidados da região da América Latina, Caribe, América Central e América do Norte.
Para a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, a Conferência das Américas proporcionará um importante momento de avaliação e levantamento sobre os desafios a serem enfrentados em todas as esferas da luta contra o racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerâncias correlatas. “Serão traçados nesta Conferência estratégias de atuação para este ano ainda, além de criarmos canais para as próximas gestões governamentais”, afirma ela.
As explanações dos(as) representantes dos países participantes giram em torno do direito à terra para as populações das comunidades tradicionais; acesso aos bens de consumo e culturais, discriminação e intolerância aos diversos grupos étnicos existentes, violência, debilidade social, entre outros pontos.
Ainda no painel da manhã haverá a exposição dos(as) representantes da sociedade (indígenas, migrantes, afrodescendentes, jovens, ciganos(as), mulheres, minorias religiosas, portadores de deficiências, portadores de HIV/AIDS e representantes de Gays, Lésbicas, Transgêneros e Bissexuais).

Entrevista com a presidente do Ação Cidadã (principal partido de oposição da Costa Rica), Epsy Campbell

“Há muita pressão dos conservadores para que Governos não liberem recursos”
Em entrevista ao Notícias Contra o Racismo, a presidente do Ação Cidadã (principal partido de oposição da Costa Rica), Epsy Campbell, fala das dificuldades que a sociedade enfrenta para alavancar projetos com recorte racial. Confira.
Sociedade Civil chama atenção para Convenção Interamericana de Combate ao Racismo
A Conferência das Américas foi espaço também de discussão sobre a Convenção Interamericana de Combate ao Racismo. Ela é considerada por militantes do movimento negro e por especialistas da área jurídica e internacional como um instrumento importante para o enfrentamento do racismo na região. “Trata-se de um passo concreto para a implementação do Plano de Ação de Santiago, no esforço de se combater todas as formas de intolerância. Seja étnica, de gênero, por idade, território, deficiência ou qualquer outra, que têm feito com que muitas pessoas sejam tratadas como menos merecedoras da proteção dos direitos humanos”, explica o Salíh Booker, da ONG Global Rights, com sede nos EUA.
Booker foi um dos especialistas reunidos em oficina organizada na quarta-feira, numa parceria da Global Rights, Geledés e Fundação Interamericana, com objetivo de disseminar a importância da Convenção e discutir o papel da sociedade civil no acompanhamento e divulgação do seu processo de construção.
Partiu do Brasil a iniciativa de apresentar o pré-projeto da Convenção, que foi aprovado na Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), no mês de maio. Apenas os Estados Unidos se opõem à aprovação da Convenção. “Agora iniciamos a fase das mesas de negociação entre os países, para que o projeto avance”, explica Rodney da Silva, do Geledés. Cleber Costa, da equipe de relatoria especial para Assuntos Afro-descendentes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, explica que a Convenção é fundamental por três motivos: “Ela traz definitivamente os conceitos de discriminação e intolerância, aponta a necessidade de medidas para se adotar ações afirmativas e as obrigações dos Estados para que estas ações se concretizem.”
Foi unânime a opinião dos especialistas convidados de que a participação da sociedade civil no processo é fundamental. “Se existe uma agenda pública e privada para o combate ao racismo, ela é fruto da pressão dos movimentos sociais na denúncia do racismo em nossa sociedade”, afirmou Luiz Fernando Martins, ouvidor da SEPPIR. Salíh Booker completa: “É importante a sociedade civil ter dados desagregados em raça e gênero para pressionar os Estados pela aprovação deste importante elemento político que é a Convenção.”
Lucia Xavier, da ONG Criola, membro da Articulação de Mulheres Negras Brasileiras, alerta para necessidades estruturais que as organizações negras têm para que possam atuar de fato: “Vamos colocar o pé no chão. As organizações negras em geral são pobres, não têm como acompanhar o que acontece na OEA [em Washington]. Precisamos de apoio para preparar quadros, para estar nos espaços e exercer este papel.”
Para ouvir os trechos das falas de Cleber Costa e de Salíh Book clique aqui.
Avaliação e financiamento: questões debatidas na abertura da conferência

As falas de todos os participantes trouxeram à tona a necessidade de avaliar o processo de construção e promoção da igualdade racial que está em curso nas Américas e buscar o compromisso e a vontade política dos estados, nações e governos para que essas políticas, programas e ações tenham o financiamento adequado para sua execução.
A cerimônia foi inaugurada com duas saudações religiosas, uma indígena e outra de matriz africana e as discussões foram intercaladas com lançamento de publicações e apresentações culturais. Entre o público presente (cerca de 300 pessoas) estavam militantes do movimento negro, indígena, de mulheres e de juventude, especialistas e estudiosos em relações raciais, parlamentares, gestores públicos e artistas.
Frases:
“As políticas públicas contra o racismo contribuem com a paz, o desenvolvimento e a governabilidade”. Epsy Campbell
“Nós não queremos intermediários na relação com o governo. Já pensou se um índio assume a FUNAI?”, Marcos Terena.
“Precisamos desagregar os dados e construir um índice de desenvolvimento das desigualdades raciais, assim como o Índice de Desenvolvimento Humano do PNUD”, Edna Roland.
“Nada se resolve no futuro se não tivermos plena consciência do que originou o que estamos vivenciando hoje.... Nós recusamos a herança histórica do racismo”, Doudou Diène
Diálogo é essencial para o combate à discriminação

Segundo Eduardo Kohn, diretor para a América Latina da B’Nai B’rith Internacional (organização não governamental), está em fase de construção no Uruguai uma Comissão Nacional de Luta contra a Discriminação, onde sociedade civil e representantes do governo terão assento. Segundo Kohn esta iniciativa se deve ao avanço do diálogo entre esses dois segmentos. “Ainda temos muitos limites para vencer, mas nos últimos anos a conversa tem se ampliado e hoje não é mais possível buscar soluções ou resolver este problema sem a participação ativa da sociedade civil”.
Kohn explica que existem problemas mais graves no Uruguai, que a discriminação para com os judeus, como a discriminação por cor, etnia e gênero, mas afirma que todas elas devem se combatidas da mesma maneira. Neste sentido, o diretor da organização ressalta os avanços do Brasil e da Argentina em construir mecanismos legais para a punição daqueles e daquelas que discriminam.
Indígenas reúnem-se para discutir melhorias
Olhares atentos a tudo. Cada palavra dos(as) expoentes era escutada e retribuída com expressões de encantamento, concordância e indignação de quem há anos luta por igualdade. Assim, cerca de 40 pessoas de origem indígena, oriundos de países como o Chile, Uruguai, Guatemala, Argentina e Brasil se comportaram durante a reunião dos povos indígenas na Conferência Regional das Américas. O encontro aconteceu nesta manhã, para afinar os principais questionamentos e demandas acerca da realidade dos povos indígenas na região.
A agenda do debate era composta por abordagens sobre racismo; exclusão acadêmica, social e cultural; política e saúde dos(as) índios(as). Em todos os relatos houve uma carga de descontentamento com a atual situação dos(as) índios(as) e apresentação de projetos para facilitar a inclusão destes povos que continuam a reivindicar mudanças. Paralelamente, representantes das delegações indígenas também participavam das reuniões setoriais de juventudes e, no dia ontem, de mulheres.
O presidente do Comitê Intertribal, Marcos Terena, avalia que não houve avanços para os anseios do povo indígena depois de Santiago (Conferência do continente americano, realizada em 2000, preparatória para Durban). Mas destaca um recente passo importante, com a proposição e aprovação do Projeto de Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas pelo Grupo de Trabalho sobre Populações Indígenas da Subcomissão para a Prevenção da Discriminação e Proteção das Minorias da ONU (Organização das Nações Unidas).
No final da tarde de hoje, Marcos Terena participa, juntamente com representantes indígenas e de religiões de matriz africana de uma cerimônia espiritual, que faz parte da abertura oficial da Conferência Regional das Américas, no Palácio do Planalto. A abertura da Conferência deve contar com a presença do Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. O jovem Davi Bepkaronnhiti, índio Kayapó paraense, está animado para o evento, “Espero que dê tudo certo e que o nosso povo possa participar mais dessas manifestações para estarmos em igualdade”, declara.
Problemas técnicos
Infelizmente, desde o inicio da tarde de ontem e até as 10h27 da manhã de hoje, o sistema de fornecimento de sinal de internet no hotel Blue Tree, em Brasília foi interrompido. Por este motivo a agência de Notícias de Combate ao Racismo, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas não podê publicar novos conteúdos.
Em nome de nossa equipe gostaria de pedir desculpas pelo incidente e informar que publicamos agora o material produzido ontem.
26 Julho, 2006
Para delegação chilena avaliação é fundamental
Para a delegação da sociedade civil do Chile, a Conferência Regional das Américas servirá de ferramenta fundamental para o processo de avaliação da III Conferência Mundial Contra o Racismo, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, realizada em 2001, na África do Sul. Patrícia Cardemil, membro da delegação, espera que a conferência funcione como um fio condutor para que a Organização das Nações Unidas decida por realizar e convocar Durban+5.
Outra pauta que será levada pela delegação é a inclusão da discussão sobre diversidade e livre orientação sexual. Segundo Maria Victoria Santivanos, muitos desafios ainda estão pendentes e o Chile ainda sofre com a homofobia.
Começa hoje a Conferência Regional das Américas
Para Juan Martabit, representante do governo do Chile, a Conferência é um momento de grande importância e significação tanto para governos, quanto sociedade civil. “Um dos grandes males do mundo é a realidade de racismo e discriminação que as sociedades compartilham, precisamos construir e avaliar neste espaço as formas para revertermos a situação”, afirma.A Conferência Regional das Américas terá a participação de representantes governamentais de 21 países e de entidades da sociedade civil dos 35 países convidados da região da América Latina, Caribe, América Central e América do Norte. Durante a tarde de hoje será realizada a exposição do Relatório do Escritório do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU sobre a situação do combate à Intolerância e promoção da diversidade nas Américas.
Mulheres reivindicam mudanças efetivas
A declaração será lida no plenário da conferência, amanhã, 27 de julho, a partir das 11h30.
25 Julho, 2006
A Minha cor é Arte
Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha
Reunião das juventudes
Local: Setor Hoteleiro Norte Trecho 01 Lote 1B – Bloco C
24 Julho, 2006
Entrevista com Sergia Galván

Para Sergia Galván, do Coletivo Mulher e Saúde da República Dominicana e membro da Rede de Mulheres Afrolatinoamericanas e Caribenhas, os governos têm avançado pouco na implantação de políticas de promoção da igualdade de gênero e raça nas Américas.
Leia a entrevista clicando aqui.
Mulheres das Américas avaliam políticas de promoção da igualdade de gênero e raça

Cerca de 50 mulheres vindas de vários países das Américas estão reunidas neste momento no hotel Manhattan Plaza, em Brasília para avaliar aos avanços e desafios para efetivação da inclusão das populações negra, indígena e outros grupos discriminados, pós III Conferência Mundial Contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e outras Formas Correlatas de Intolerância, realizada em 2001, em Durban (Africa do Sul).
O evento intitulado Diálogo entre as Mulheres das Américas contra o Racismo e todas as formas de Discriminação teve em sua mesa de abertura a presença da Ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da deputada da Costa Rica Epsy Campbell, de Nilza Iraci, do Geledés, e de Sergia Galván, do Coletivo Mulher e Saúde, da República Dominicana.
Para Nilza Iraci este é o momento de pensar nos próximos passos, porque “colocar a pauta dos direitos das mulheres na agenda da ONU e dos Estados não bastam. É preciso promover mudanças na vida das mulheres”.
Sergia Galván Epsy Campbell fizeram um breve histórico sobre a participação das mulheres, em especial das mulheres negras nas conferências mundiais. “Tanto a conferência de Santiago, quanto a de Durban, serviram como ferramentas fundamentais para a visibilização da pauta das mulheres. Em quase todos os capítulos do Plano de Ação de Durban fala-se das mulheres. Por isso, temos que buscar o cumprimento do que já foi firmado nesses espaços”, finaliza a deputada.
O encontro que segue até amanhã (25/07) culminará na elaboração de dois documentos: uma declaração das mulheres das Américas para a Conferência Regional das Américas, que acontece em Brasília, nos próximos dias 26, 27 e 28, e um documento com as reflexões levantadas nesses dois dias de diálogo.
15 Julho, 2006
Conferência Regional das Américas
Promover uma reflexão sobre o processo de implementação da Declaração e Plano de Ação de Durban na região por meio da implementação de políticas públicas, instrumentos institucionais e de investimento na área;
Ampliar a cooperação e o intercâmbio de experiências na gestão da promoção da diversidade e da democracia nos países das Américas, impulsionando a agenda do combate ao racismo, à discriminação racial, à xenofobia e demais intolerâncias baseadas em raça, origem, cultura, religião, língua, etnia, deficiência, e agravadas por gênero, idade e condição sócio-econômica;
Contribuir para a reflexão sobre os resultados da criação de instâncias governamentais que impulsionam políticas de igualdade racial e anti-discriminatórias.
Programação
Dia 26 de julho, quarta-feira
09hInício do credenciamento
10h às 11h Sessão informativa sobre as regras de procedimentos da Conferência (incluindo informações sobre inscrição dos países para Plenárias).
11h às 13h Reuniões de Delegações
13h às 14h30 Intervalo para almoçoAtividades paralelas: Cultura Quilombo
15h às 16h Exposição do Relatório do Escritório do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU sobre a situação do combate à intolerância e promoção da diversidade nas Américas.
17h às 20h - Palácio do PlanaltoPalácio do Planalto Cerimonial Espiritual Indígena e de Matriz Africana.
Abertura oficial, com a presença do Senhor Presidente da República, contendo lançamento de publicações, Assinaturas de Acordos Internacionais e atividades culturais: Show Yle Erê (Petrobrás) e performance com crianças de Brasília do Programa 2º Tempo (Ministério dos Esportes) e com Elisa Lucinda.
20hCoquetel de abertura.
Dia 27 de julho, quinta-feira
08h30Abertura e encaminhamento dos trabalhos das Plenárias e mini-plenárias.
09h às 11h Plenária para exposição dos representantes oficiais dos governos.
11h às 11h30 Cofee-Break
11h30 às 13h30 Plenária para exposição dos representantes da sociedade civil (indígenas, migrantes, afrodescendentes, jovens, ciganos, mulheres, minorias religiosas, portadores de deficiências, portadores de HIV/AIDS e representantes de Gays, Lésbicas, Transgêneros e Bissexuais).
13h30 às 15 hIntervalo para almoço
15h às 17h Mini-Plenárias- América do Norte;- América Central e Caribe;- Região Andina e- Cone Sul.
17h às 17h30 Cofee-Break
17h30 às 19h30 Continuidade das Mini-Plenárias* As Mini-Plenárias são formadas por mesas para o diálogo sobre os Avanços e Desafios do Plano de Ação contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intorelâncias Correlatas, compostas por 1 moderador, 1 palestrante da Sociedade Civil, palestrante do Governo e 1 palestrante do Sistema Onu.
20h Jantar
22h Show musical ‘Brasil América Negra’ com Leci Brandão, Markão2, Netinho de Paula, Sandra de Sá, Toni Garrido e Zezé Motta.
Dia 28 de julho, sexta-feira
09h às 11h Apresentação dos relatores das plenárias, mini-plenárias (aproxidamente 15 minutos para cada relator)
11h às 11h30 Cofee-Break
11h30 às 13h30 Continuidade da Apresentação dos Relatores das Plenárias e Mini-plenárias
13h30 às 15h30 Intervalo para almoço
15h30 às 17h30 Apresentação das conclusões da Conferência.
22h - Baile de Encerramento
Fonte: http://www.americascontraracismo.com.br